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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

foucault muito além do poder



No tipo de discurso, a fronte do homem, que bem pode ser uma menininha.

Pensei nessa foto como uma herança, e, por isso, um dom.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

bibliotecas conjecturadas (4): "Der Ursprung des Kunstwerk"


“τέχνη não significa nem manufatura, nem arte e, finalmente, nem a técnica no sentido dos dias de hoje: ela não quer dizer, nunca, um tipo de realização prática. A palavra τέχνη nomeia muito mais um modo do saber [Wissen]. Saber significa: ter visto, no mais amplo sentido de ver, quer dizer: o perceber do presente como um tal. A essência do saber repousa, para o pensamento grego, na αλήθεια, ou seja, no desencobrimento [Entbergung] do ente. Ela traz e acompanha cada comportamento para com o ente. A τέχνη, como experimentada no saber grego, é um trazer-à-frente do ente, na medida em que traz o presente como um tal desde o encobrimento, especialmente, ao não-encobrimento de seu aspecto; τέχνη nunca significa a atividade de um fazer”


(Martin Heidegger)

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Ler Heidegger é caminhar ao repouso da palavra enquanto ela é apenas já uma temporalidade. Assim, sua terra não está além do instante em que o fazer-acontecer do nome, símbolo, se intenta contra a coisa e a coloca como problema primeiro. O caminho trilhado na Floresta Negra de Heidegger é antes de tudo um saber da técnica no qual a arte se consome e se propõe. Desse modo, todo movimento para um repouso é delimitado por suas condensações do existente, do à mão. Se todo pensamento é à mão, feito por elas, a arte coloca-se como um saber de outro nível. A permanência é sua morada onde a portada é povoada de bustos para corvos pousarem. Como em festa, o dia do clarão da arte é uma forma de enteléquia que possibilita a permanência e presentifica a angústia da coisidade da coisa. Somente por seu entrechoque com o esquecimento, com o olvido, é que a verdade da arte se manifesta como um velar novamente, um revelar-se a si por si. Assim, Heidegger nos coloca no dilema da palavra visiva, da contemplação que produz o poetizável do utensílio, dá o existente do objeto. Ao não-encobrir a leitura, ler Heidegger é fazer-se como origem, na pergunta sobre a origem essencial.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

consideração intempestiva sobre a história


"O saber histórico irrompe, aqui e ali, sempre novamente a partir de fontes inesgotáveis, o estranho e incoerente impõem-se, a memória abre todas as suas portas e, ainda assim, nunca estão suficientemente abertas; a natureza empenha-se em receber bem, organizar e honrar estes estranhos hóspedes, mas estes mesmos encontram-se em luta uns com os outros, e parece necessário subjulgá-los e dominá-los todos, a fim de não perecer em meio à sua luta. O hábito em um tal ser doméstico desordenado, tempestuoso e conflituoso torna-se paulatinamente uma segunda natureza, mesmo se estiver imediatamente fora de questão o fato de esta segunda natureza ser muito mais fraca, muito mais inquieta e em tudo menos saudável que a primeira. Por fim, o homem moderno arrasta consigo por aí uma massa descomunal de pedras indigeríveis de saber que, então, como nos contos de fadas, podem ser às vezes ouvidas rolando ordenadamente no interior do corpo."

(Friedrich Nietzsche)

linguagem e experiência


Há o tempo do ser, no ocaso das ventanas. Ainda a linguagem é o que permite o experienciar do ser, como ser. Aliás o experienciar é a permissão da experiência. E, só da linguagem, essa floresta negra dos tempos, provém a nostalgia da escrita. Confirma-se aí o silêncio dessa conversa atemporal. Há, portanto o tempo do ser, na linguagem. Ventos à janela. Linguagem põe-se como caminho, de outro tempo, que é já o do caminhar.